Por Alejandro Bullón
(Lições do sermão da montanha)
Admiro a pregação de Jesus. Ele me inspira, me sustenta,
e me mostra o caminho para chegar ao coração das
pessoas. Aprendo do meu mestre. Todos os dias. Aos seus pés,
recebo a força que preciso. Sem Jesus, nada sou. Somente
barro. É isto o que me faz buscá-lo e é por
isso que estudo seus métodos e observo a maneira doce como
Ele comunicava as boas novas do evangelho.
Nesta ocasião quero compartilhar com meus irmãos
pregadores quatro pautas que o Senhor Jesus seguia ao comunicar
sua mensagem. Tenho as praticado e obtido o resultado em minha
pregação.
1. Jesus apresentava a verdade de forma clara
Ele não se complicava nem complicava a vida dos seus
ouvintes. Apresentava sua mensagem usando palavras simples,
linguagem compreensível e orações curtas
e diretas! “Vos - outros sois o sal da terra” dizia,
e depois explicava a função do sal e o perigo
de não cumprir sua função. “Pedi
e dar-se-vos-á” afirmava, e logo explicava o beneficio
da perseverança na oração; ou então
“não julgueis para que não vos sejais julgados”,
e mostrava o perigo de fazer juízos apresados das outras
pessoas. Não usava palavras complicadas e difíceis
como na hermenêutica ou apologética, nem mesmo
homilética. Quando Jesus pregava até as criançinhas
entediam.
Outra ferramenta poderosa que Jesus usava eram as perguntas.
Com as perguntas Jesus envolvia e atraia as pessoas para si.
Perguntava com o único propósito de motivar o
pensamento. Suas perguntas não requeriam respostas faladas,
mas todos respondiam no mais íntimo do seu coração.
“Se amas só os que te amam, que recompensa obtereis?”,
perguntava, e os ouvintes se viam envolvidos e tentavam responder
à pergunta. Ao faze-lho, fixavam a verdade no coração.
A repetição era outro dos instrumentos de comunicação
que Jesus utilizava: “Bem-aventurado, bem-aventurado,
bem-aventurado”. Uma e outra vez. Jesus sabia que a repetição
de uma frase fixaria bem a mensagem na mente dos ouvintes. É
como se hoje nos disséramos: “Se nesta manhã
estás triste, se não sabes pra onde ir, se te
encontras num beco sem saída, se pensas que chegaste
ao fim da linha...” Ao repetir a mesma frase, uma e outra
vez, estás levando às pessoas a tomarem consciência
da sua triste condição e lhes estás despertando
o desejo de ir até Jesus.
O que dizer dos contrastes? As bem-aventuranças contem
muito contrastes, algumas delas são paradoxos. O reino
dos céus pertence aos pobres! Céu e pobreza. Percebes
o contraste? O ouvinte ficava intrigado e se perguntava o que
era aquilo que Jesus estava tentando dizer, e com essa dúvida
prestava mais atenção.
O capítulo cinco de Mateus está repleto de contrastes.
“Ouvistes o que foi dito... Mas eu vos digo...”
As pessoas estão interessadas em polêmicas. Por
este motivo Jesus colocava os dois pensamentos, em contraste,
com o propósito de despertar a atenção
daqueles que lhe ouviam.
Ao anunciar o evangelho devemos seguir o estilo simples de Jesus,
seus métodos infalíveis. Devemos usar as mesmas
técnicas simples que o mestre utilizava para abrir o
coração das pessoas e gravar na mente delas a
mensagem de salvação.
2. Jesus ilustrava suas mensagens
Só apresentar a verdade não é o suficiente,
é preciso ilustrá-la. O sermão do monte
está repleto de ilustrações. Ilustrar a
mensagem não é só contar uma história;
histórias podem servir como ilustrações,
mas Jesus fazia mais do que isso. Comparava os conceitos com
coisas da vida real, aquelas que as pessoas conheciam bem. “Utilizava
figuras impressionantes como: “vos outros sois o sal da
terra”, “vos outros sois a luz do mundo” ou
“o reino dos céus é semelhante a um grão
de mostarda”. Em fim... Jesus utilizava uma linguagem
simples que levasse as pessoas a imaginarem os conceitos. “Não
deiteis aos porcos as vossas pérolas...” Apresentava
a verdade de maneira prática: “qualquer um que
implique com seu irmão...” dizia. Quem alguma vez
não passou por dificuldades com seu irmão? “Se
alguém te pede para andar uma milha, anda duas”.
Quem não tem passado pela necessidade de ser compreensivo
e paciente com seu próximo? Percebe como Jesus tomava
situações da vida diária para ensinar verdades
eternas: “por que reparas no argueiro que está
no olho do teu irmão, e não vês a trave
que está no teu olho?”
Nos também precisamos ilustrar as mensagens que pregamos.
As ilustrações não ensinam conceitos, mas
os iluminam, os fazem mais claros. Quando falamos às
pessoas que não conhecem muito da Bíblia, como
nas reuniões evangelísticas, as ilustrações
devem ser familiares a elas. Coisas da experiência comum,
da vida diária, da televisão, do jornal, da rua
ou das histórias populares.
3. Jesus aplicava a verdade
Jesus fazia mais do que simplesmente apresentar e ilustrar a
verdade, também a aplicava. Não importa quão
bem se saiu na ilustração da verdade, se não
a aplica estará simplesmente pronunciando um discurso.
Leia novamente o sermão do monte e sublinhe as palavras
que Jesus usava em segunda pessoa. Se agregares, a estas palavras,
as orações onde Jesus exortava diretamente aos
seus ouvintes a fazer alguma coisa; descobrirás, com
surpresa, que quase cada oração é uma aplicação
direta aos ouvintes.
Percebe como Jesus ia aplicando os conceitos ao longo da sua
pregação. Não deixe a aplicação
para o final da pregação, pois os ouvintes terão
esquecido os conceitos apresentados no inicio! Terás
perdido sua atenção! Aplica no decorrer do sermão,
assim como Jesus o fazia. Os ouvintes entenderão o valor
do que estás dizendo.
Outro erro que o pregador muitas vezes comete é pensar
que ao dizer o que fazer está aplicando a mensagem. Jesus
não se conformava com isto, Ele ia mais longe; explicava
aos seus ouvintes como fazer as coisas e por que era bom fazer-lo.
Ao falar da oração, por exemplo, não disse
aos seus ouvintes que simplesmente orassem; Jesus lhes mostrou
como deviam orar. É aqui onde ele ensina o “Pai
Nosso”. O Mestre lhes ensinou, também, que valia
a pena orar, pois receberiam recompensas do Pai.
Quando Jesus pregava aplicava, também, sua mensagem a
toda classe de pessoas. Alguém uma vez calculou que,
no sermão do monte, o Mestre se dirigiu a vinte e dois
tipos diferentes de pessoas. Gente que queria saber como achar
a verdadeira felicidade, gente que era perseguida, gente que
acreditava que o pecado era somente um assunto externo, gente
que estava a ponto de se divorciar, entre outros...
A pregação de Jesus era tão especifica
que, ao analisar o sermão do monte, você pode identificar
essas classes de pessoas sem muito esforço. Na pregação,
você precisa ter em mente o seu público alvo; sem
uma visão clara do seu alvo provavelmente não
atingirá seu objetivo!
4. Jesus pregava com autoridade e urgência
Vamos examinar mais uma vez o sermão do monte. Há
autoridade e urgência na mensagem de Jesus. É isto
o que caracteriza sua pregação em forma geral,
mas a urgência e a autoridade estavam presentes de maneira
especial na aplicação.
As multidões sentiam a autoridade do Mestre (Mateus 7:28,
29). Jesus não citava uma ou outra autoridade terrena
para reforçar seus conceitos, Ele declarava a Palavra
de Deus. Daí vinha sua autoridade e com isto deixou-nos
um exemplo a seguir; deu-nos a autoridade da sua palavra para
proclamar o evangelho. Não apresentes a verdade como
se fosse uma simples opção entre as outras; proclama-a
como única verdade de salvação.
Ma autoridade não foi o único elemento usado por
Jesus em suas pregações, estava também
a urgência. Ao pregar, o Mestre tentava levar às
pessoas a fazerem uma escolha. Seu estilo não era o “agora
ou nunca”. Há um caminho estreito que leva à
vida e há um caminho largo que leva à destruição
(Mateus 7:13, 14). Não é possível escolher
o caminho largo e chegar à vida. Então, se desejas
viver, deves escolher o caminho estreito.
A relação entre o ouvinte e Jesus era a chave.
Existiam, entre eles, pessoas a quem Jesus algum dia diria:
“Nunca os conheci, afastai-vos de mim fazedores do mal!”
(Mateus 7:23). A conclusão dramática no final
do Seu sermão mostra que não há opção.
O homem sábio faz o que Jesus lhe diz e resiste nas tormentas
da vida, o homem insensato não faz o que Jesus lhe diz
e vai caminho à destruição (Mateus 7:24-27).
É do mesmo jeito agora, é preciso deixar bem claro
que há uma necessidade absoluta de escolher a Jesus.
Faça-o com urgência! Não há tempo
para perder! “Ou escolhes seguir a Jesus ou escolhes a
morte”. Não há outra saída. Hoje
em dia a pessoas são indolentes às grande escolhas
da vida, não lhes importa pois viver de um jeito ou do
outro da na mesma. Mentira! É preciso perder o medo de
usar a linguagem de urgência para mostrar o perigo que
se corre ao se postergar uma decisão tão importante.
As pessoas precisam fugir do perigo, precisam extirpar o tumor
maligno e devem pular do barco antes que se afunde. Você
é o instrumento que Deus escolheu para dizer-lhes isto,
por isso não se apresse em terminar sua mensagem se não
tem a convicção de que ter esperado o tempo suficiente
para que as pessoas façam uma escolha e vão em
frente.
Fonte: http://www.ministeriobullon.com
Autor: Alejandro Bullón